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É altura de limpezas da Primavera? Não, obrigada.


Há um ritual qualquer, que deve vir ainda nos genes da pré-história e que dita que logo que o sol comece a despontar, por mais do que 20 minutos seguidos e em dias consecutivos, se iniciem as chamadas limpezas da Primavera. Ele é aspiradores, panos, lixívias, com e sem cheiro, a pedir clemência, pelo uso desenfreado com que são usados intensivamente, durante esses dias, em paredes, chãos, tectos e roupeiros. Nada de mal. A higiene do lar faz bem, dentro de alguns parâmetros razoáveis e sem exageros.

Contudo, até que ponto existem esses mesmos cuidados com cada uma de nós? E não se trata aqui de fazer publicidade a gabinetes de estética ou centros de massagens especializados. Assim um cuidado especial de se parar por uns tempos e ver o que está a precisar de limpeza para se seguir mais arejado por aí. Ah, pois, há quem lhe chame férias. A maior parte das férias, do comum dos mortais, continua repleto de uma série de rotinas, às quais não se consegue fugir como é o caso de se tratar de refeições, roupas e afins. Só que num cenário diferente e felizmente, em ritmos mais espaçados. Por isso, nem sempre têm esse efeito de limpar por dentro.
Limpezas da primavera por dentro, que se notem por fora, há pouco hábito. Talvez porque fosse um luxo, que as senhoras das cavernas não tenham tido tempo para se dedicarem. Ficam algumas dicas para pensar, reinventar ao jeito de cada uma e pôr em prática:

Abrir o armário

Pensar em dois hábitos que se tenha e que se quer mesmo, mesmo largar. Seja roer as unhas, ir duzentas e cinquenta e três vezes às redes sociais ou ruminar. O hábito de ruminar é do piorzinho que por aí anda. Escrever esses hábitos numa frase. E pensar num hábito de substituição. Para se largar um hábito, é preciso substituir por outro. De preferência um que nos faça melhor. Tão simples.

Mudar a roupagem de Inverno

No inverno há roupas mais quentes, tipo lençóis de flanela, pijamas térmicos e afins. Com o calor é suposto haver mais leveza. Tudo respira melhor. Com a chegada de dias de maior sol, e felizmente temos muitos por estes lados, é deixar entrar e sair a luz. A de cada um. Assim num dia normal é comum as pessoas esquecerem-se dos seus superpoderes, para se focarem nas teias de aranha que habitam em cada um. Assumir esses superpoderes para si e para os outros. Todos ganham com isso. Pode ser a boa disposição, a capacidade de escuta, a sensibilidade de elogiar os outros, o ser prático, dotes de cozinha, de escrita… mas libertar os superpoderes. A humanidade à sua volta agradece e o mundo em geral também.

Reinventar a Decoração

Muitas vezes não é preciso comprar mais umas almofadas para mudar o aspecto numa divisão da casa. Mudam-se de divisão e aquele objecto ganha nova vida e uma outra dimensão. Se é organizado no trabalho, porque não usar essa tão boa competência, na relação com os amigos? Às vezes esquecemo-nos que somos bons em áreas porque desenvolvemos competências aí. Um desperdício, não adaptar e aplicar essas mesmas competências nos nossos outros papéis de vida. Experimentar não custa.
Parar só por uns tempos, no próximo fim-de-semana e começar junho assim.

*Ana Bela Lopes, autora do Blog penso rápido, é psicóloga e mostra-nos uma forma diferente de nos encontrarmos “vestindo a capa” de qualquer personagem que pretendamos assumir, para lidarmos com a nossa vida e as nossas emoções.

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